CURSOS EM MEIO AMBIENTE
» CURSO DE AUDITOR LÍDER DO SGI COM CERTIFICAÇÃO RAC
Proporcionar conhecimento atualizado para o planejamento e a realização de auditoria interna e com partes interessadas (fornecedores, contratados, terceirizados), com base nas normas ABNT NBR ISO 9001:2015, ISO 14001:2015 e ISO 45001:2018, possibilitando um diferencial do profissional no mercado e transmitindo credibilidade à sociedade de que suas práticas são legais e seguras e que buscam atender às expectativas das organizações e suas partes interessadas. PROGRAMA DO CURSO: Programa do Curso: • Unidade I - Introdução - Visão geral das empresas na era da sustentabilidade corporativa; - Estrutura de Alto Nível no SGI; - Cenário global e análise do contexto da organização; - Necessidades e expectativas das partes interessadas (stakeholders); - Definição de escopo, mapeamento e controle de processos; - Identificação, análise e avaliação de riscos e oportunidades para o SGI; - Identificação e controle de aspectos e impactos ambientais e perigos e riscos de SST; - Identificação e avaliação de requisitos legais e outros; - Gestão de Mudanças; - Avaliação dos seus requisitos das normas ISO 9001, ISO 14001 e ISO 45001. • Unidade II - Auditorias Internas nas normas ISO 9001:2015, ISO 14001:2015 e ISO 45001:2018 - Classificação, organização e metodologias para auditorias (NBR ISO 19011:2018); - O papel e as responsabilidades do auditor, equipe auditora e auditado; - Escopo, critérios e objetivos da auditoria - Gerenciamento de um programa de Auditoria SGI baseado em riscos; - Planejamento e execução de auditorias; - Condução de Reuniões de Abertura; - Coleta de informações e avaliação comportamental; - Constatações da Auditoria; - Não Conformidades, ações corretivas e oportunidades para mehoria; - Alinhamento da equipe auditora; - Conclusão da auditoria; - Condução de Reuniões de Encerramento; - Acompanhamento pós-auditoria. . Unidade III - Auditorias Simuladas do Sistema de Gestão Integrado - Práticas e condução de auditorias (de acordo com o perfil e as necessidades da turma); - Exercícios e estudo de casos; - Relatório de auditoria. ENTREGAS: - Certificado de Auditor Líder no Sistema de Gestão Integrado – ISO 9001:2015, ISO 14001:2015 e 45001:2018, visando realizações de auditorias internas e em partes interessadas (fornecedores, prestadores de serviços, clientes, dentre outros) com a certificação do RAC e da ABENDI. - Normas ABNT NBR ISO 9001:2015, ISO 14001:2015 e 45001:2018, para fins de treinamento. PROMOÇÃO AQUALUNG BLUE: DE R$ 3.500,00 POR R$ 1.990,00  -  ENTRADA DE R$ 990,00 E 2 PARCELAS DE R$ 500,00  NOS CARTÕES À VISTA: R$ 1.800,00

» 19 E 20 DE FEVEREIRO: CURSO DE IDENTIFICAÇÃO, ANÁLISE E AVALIAÇÃO DE RISCOS- ISO 31000 / 2018
Objetivo: Capacitar os participantes quanto ao entendimento e desenvolvimento dos processos de identificação, análise e avaliação de riscos com base no Direcionamento Estratégico e sob os parâmetros da norma ISO310002018. Conteúdo Programático: - Mudanças, parâmetros e tendências voltadas à gestão estratégica da organização; - Direcionamento Estratégico e Análise do Contexto; - Parâmetros para a identificação das necessidades e expectativas das partes interessadas; - Comprometimento da Governança Corporativa e engajamento da Equipe de Supervisão de Riscos - A importância e os propósitos de um Sistema de Gestão de Riscos e Oportunidades; - Abordagem de Processos e Mentalidade de Riscos; - Implantação da norma ISO 31000:2018; - Métodos e ferramentas para identificação, análise e avaliação de riscos; - Monitoramento, medição, Análise e Melhoria no Gerenciamento de Riscos e Oportunidades para Melhoria. PROMOÇÃO AQUALUNG BLUE EM 6 VEZES DE R$ 230,00 NOS CARTÕES À VISTA: R$ 1.100,00 *******************************************************************************************

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O MISTERIOSO DESAPARECIMENTO DOS TATUÍS
abril 2016



O MISTÉRIO DOS TATUÍS

Os tatuís ou tatuíras são pequenos crustáceos decápodes (que possuem 10 patas), assim como os bens conhecidos siris, caranguejos, camarões e lagostas, dentre outros seres marinhos. À semelhança dos seus parentes, habitam os substratos marinhos, fazendo parte do grupo de organismos denominado bentos.


A família zoológica dos tatuís, os Hippidae, tem três representantes no Brasil, dentre eles a espécie Emerita brasiliensis, bastante conhecida dos cariocas. Apesar da ampla ocorrência geográfica (desde o México até a Argentina) relatada na literatura científica, a espécie é mais abundante a partir do Estado do Espírito Santo.


Os tatuís vivem em substratos ditos não consolidados (sedimentos), como as areias e os cascalhos. São facilmente encontrados nas praias, próximos à linha d’ água, mas também vivem em áreas permanentemente imersas do litoral (sublitoral). Banhistas desatentos ou ocasionais podem nunca ter visto um tatuí, apesar da sua presença constante nas praias. Isso se deve ao hábito de se enterrar na areia, deixando somente as antenas de fora, usadas para capturar microalgas que vivem em suspensão na água do mar (fitoplâncton).

Tatuís foram criados satisfatoriamente com uma mistura das microalgas Chaetoceros muelleri, Skeletonema costatum e Tetraselmis gracilis no Laboratório de Ecologia de Sedimentos da Universidade Federal Fluminense.

Apesar de serem organismos bentônicos, durante uma parte de sua existência os tatuís vivem em suspensão na coluna d’água, fazendo parte do chamado meroplâncton (plâncton temporário). Os tatuís são seres dioicos, ou seja, existem indivíduos machos e fêmeas na população. Sua reprodução não envolve cópula, mas a liberação de gametas masculinos e femininos na água, onde ocorre a fecundação. O ovo formado na fecundação dá origem a uma larva que passa por uma série de metamorfoses até atingir uma forma muito semelhante aos indivíduos adultos. Nesse momento, a larva passa a se chamar “recruta” e ela deixa a coluna d’água e se estabelece no sedimento como um juvenil, ainda não apto à reprodução. Desse modo, os tatuís tem um ciclo de vida com uma fase bentônica (adultos e juvenis) e uma fase planctônica (larvas).

Em condições de laboratório a fase planctônica pode durar entre 49 a 90 dias, dependendo da temperatura, entre outras variáveis. A fase bentônica foi estimada entre 7 a 9 meses. Portanto, a expectativa de vida dos tatuís é de no máximo 12 meses. Eles se reproduzem ao longo de todo o ano, apesar de existirem momentos onde a reprodução se intensifica e a ocorrência de recrutas e adultos é mais abundante nas praias.

As características geomorfológicas das praias têm sido estudadas para explicar a distribuição dos tatuís e de outros organismos do litoral. O tamanho dos grãos que compõe o sedimento, o grau de compactação do substrato da praia, a exposição à ação das ondas, a declividade do terreno e o estado de conservação tem sido motivo de estudos em diversas partes do mundo na tentativa de explicar o porquê de em algumas praias existir organismos em abundância e em outras eles serem raros ou ausentes. Estudos realizados em praias do Rio de Janeiro mostram uma grande variação na abundância dos tatuís. Os resultados mais confiáveis indicam uma relação da biomassa e densidade com o período de espraiamento das ondas e com a declividade do substrato na região entremarés.

Tem sido frequentemente veiculado na mídia o “desaparecimento” do tatuí nas praias do Rio de Janeiro, em especial na internacionalmente famosa Praia de Copacabana, onde os tatuís num passado não muito distante era um de seus ícones, segundo relato de antigos moradores e banhistas assíduos. De acordo com esses relatos, os tatuís eram extremamente abundantes em Copacabana e a partir de um momento, que é difícil precisar, o mesmo se tornou raro ou, segundo alguns relatos insistentes, desapareceu.

A maioria das pessoas atribui o desaparecimento ou a raridade dos tatuís à poluição do litoral. Mas, seria mesmo a praia de Copacabana tão poluída a ponto de estar causando a extinção local de espécies? Ainda, teria o tatuí realmente desaparecido de Copacabana, quando se sabe que o mesmo ocorre em várias praias do Rio de Janeiro, sendo muito abundante em algumas? As larvas produzidas por populações de outras praias chegam a Copacabana? Se chegam, por que não se estabelecem? Seria a presença maciça de banhistas responsável pelo seu desaparecimento ou raridade?

Essas e outras questões em aberto, esperamos responder num trabalho conjunto com o Instituto Aqualung e outros parceiros que possam constituir uma rede cooperativa de Ciência Cidadã. Afinal, não se pode deixar um ícone tão importante como o tatuí desaparecer sem mais nem menos de nossas praias sem podermos apontar a causa, não acham?

Além disso, um projeto de cultivo de tatuís em laboratório irá estudar a viabilidade de reintroduzir o tatuí em Copacabana e outras praias do Rio de Janeiro onde eles tenham se tornado raros.
 


Abilio Soares Gomes

Professor Titular do Departamento de Biologia Marinha e Vice-Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Dinâmica da Terra e dos Oceanos da Universidade Federal Fluminense. Criador e responsável pelo Laboratório de Ecologia de Sedimentos desde 1992.


Bibliografia Recomendada

Otegui, A.C.P. & Soares-Gomes, A. 2007. Desenvolvimento “in vitro” de larvas e juvenis de Emerita brasiliensis Schmitt (Crustacea, Decapoda, Hippidae) sob diferentes condições de temperatura, salinidade e regime alimentar. Revista Brasileira de Zoologia, 24: 277-282.

Pereira, R.C. & Soares-Gomes, A. 2009. Biologia Marinha. Ed. Interciência, Rio de Janeiro.

Petacco, M. & Cardoso, R.S. 2003. Population dynamics and secondary production of Emerita brasiliensis (Crustacea: Hippidae) at Prainha Beach, Brazil. Marine Ecology, 24: 231-245.

Veloso, V.G.; Caetano, C.H.S.; Cardoso, R.S. 2003. Composition, structure and zonation of intertidal macroinfauna in relation to physical factors in microtidal sandy beaches in Rio de Janeiro state, Brazil. Scientia Marina, 67: 393-402.

 

 

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